26.01.2014
Postado por Rachel Rosemberg

Recentemente, Vanessa cedeu uma entrevista ao site “Shakefire”, e junto dela respondendo as perguntas, Ronald Krauss, diretor de Gimme Shelter, também a acompanhou durante a entrevista, participando também. Confira a entrevista traduzida pela nossa equipe abaixo,  onde os dois conversam sobre tudo e um pouquinho mais sobre GS:

Shakefire teve a oportunidade de se sentar com Vanessa Hudgens e o diretor Ronald Krauss para falar sobre o seu mais recente filme. Gimme Shelter. O filme é baseado na história real sobre uma jovem grávida de 16 anos que foge da mãe abusiva em uma tentativa de encontrar o seu pai. Quando esse plano não vai muito bem, ela acaba refugiando-se em um abrigo especializado em jovens garotas grávidas e acha uma nova família amorosa no processo.

Shakefire (SF): Bem vindos a Atlanta. Essa é a sua primeira vez aqui?

Ron Krauss: Não, na verdade não é. Eu estava na verdade pensando sobre gravar o filme aqui. Nós acabamos filmando o filme em Nova Jersey em abrigos reais, mas nós estávamos pensando em recria-los aqui. Mas no fim eu decidi em gravar lá simplesmente porque tudo já estava lá, e quando você vê o filme, é tudo exatamente como é nos abrigos e as garotas reais são dos abrigos e no filme e os 23 bebês, e se eu tivesse ido para Atlanta eu não sei onde eu teria conseguido todos eles.

SF: Então aquela casa que você filmou era realmente da Kathy?

RK: Um dentre os cinco abrigos e é a unica com que eu trabalhei. Eu vivi em dois abrigos por um ano quando eu estava escrevendo o script com as garotas, as mães e os bebês.

SF: Você tem realmente presença ativa como diretor. Você sempre dirige com a mão na massa como nesse papel com todo projeto ou foi só específico para esse filme?

RK: Eu acho que foi específico desse filme, porque ao contrário de outros filmes em que trabalhei eu era o único que entendia o abrigo, as garotas, suas vidas e suas figuras. O pessoal da maquiagem que apareceria deveria começar a fazer Vanessa parecer com Vanessa e eu continuei a desmantela-la e em seguida eles continuaram consertando-a, então isso foi estranho. Finalmente, haveria uma briga e eu diria “Não, vocês não entendem. Essas garotas realmente não usam maquiagem no abrigo. Elas não tem nenhuma razão para usar maquiagem.” Virou um desafio real continuar nesse caminho. Você vê o filme e você não reconhece ela no filme inteiro. Mesmo no final quando ela se parece um pouco mais com a Vanessa, ela ainda parece completamente diferente. Ela está 15 quilos mais pesada. Vanessa cortou seu cabelo para o filme. Ela ganhou 15 quilos. E ela viveu no abrigo também por cerca de três semanas.

Você viu Darlisha. Ela é ótima. Ela é bastante diferente de quando eu a conheci, mas ela é uma das inspirações por trás do filme. Quando eu a conheci, ela não tinha casa, havia andado cerca de 35 milhas no clima congelante de Nova York, e eu na verdade a trouxe para o abrigo. E ela estava grávida. Ela teve o seu filho e ele estava no filme. Ele é o que está engatinhando na cama de Earl Jones no fim do filme.

SF: O que o fez escolher a Vanessa?
RK: Depois de eu escrever o filme, o que levou uma eternidade, e com as meninas e seus comentários, nós fomos jantar e sentamos ao redor da mesa e repassamos diferentes partes do script. As pessoas estavam muito animadas sobre isso. Quando eu fui elencar, eu terminei o sript e voltei para Hollywood. Eu comecei a repassar o script e por ser tão diferente, você sabe, todo script que é feito em Hollywood, ninguem está fazendo filmes sobre abrigos. Houve uma variedade de ligações e atores e pessoas que queriam faze-lo, que eram todos os contemporâneos da Vanessa. Após o encontro com todas essas meninas eu percebi que eu acho que nenhuma atriz de Hollywood poderia desempenhar o papel neste filme, porque depois de estar com as garotas reais, e saber o que realmente precisa… tinha esse script feito em Hollywood e talvez qualquer uma dessas garotas poderia tê-lo feito e ele teria sido um filme bobo ou algo assim. Não bobo, mas um filme muito mais raso do que o que foi feito.
Eu estava procurando por uma garota real. Eu estava indo para Newark High School e eu estava tentando descobrir alguém que teria esses desafios na vida e entenderia a rua um pouco mais e as idéias. Eu achei umas pessoas que meio que cabiam no que eu estava pensando. Sua atuação não foi a melhor, mas mesmo assim eu senti que talvez eu pudesse trabalhar com eles. Então eu recebi essa ligação sobre a Vanessa. Ela leu o script e ela queria fazer o filme. Fora todas as garotas que eram uma espécie de não-famosas e famosas, eu sabia o mínimo sobre ela. Comecei a ver os seus filmes; Bandslam e Beastly e assim por diante. Então eu pensei comigo, “Bem, isso é uma loucura.”. Mas eu comecei a ver uma diferença interessante entre a garota de High School Musical e a garota em Sucker Punch, que teve a cena dramática do filme. Eu pensei que talvez alguém que é tão desinibida que eles pode cantar e dançar daquele jeito e ela não tem medo de levantar e executar, mas que ela tem sido rotulada a este mundo. Eu disse que teria uma reunião com ela, que é a diferença.
Ela veio e nós primeiramente apenas tivemos uma reunião regular e ela pareceu mais ou menos como se parece agora. Ela apenas continuava dizendo, “Eu quero fazer esse papel, eu posso fazer esse papel, eu realmente acredito nesse papel.” Ela foi bastante agradável. Eu disse tudo bem e foi assim. Ela saiu. Então ela começou a me mandar emails. “Eu sou sua Apple, eu sou sua Apple. Eu posso fazer isso.”. Eu disse, “Tudo bem, porque você não vem na audição?”
Ela veio e fez o teste e ela definitivamente pareceu diferente daquela garota da Disney. Ela tinha o cabelo para trás. Ela estava parecendo muito mais multi-étnica. E ela meio que deixou sua atividade secundária, que quando ela está sendo seu lado pop que nunca aparece. O teste dela foi interessante. Ela fez duas cenas. uma onde ela gritava para James Earl e uma onde ela está sentada com seu pai pela primeira vez na cozinha e ela diz, “Eu sabia que não podia contar com você.”. Não foi uma coisa incrível, mas foi bom e surpreendente e interessante.
Para fazer fazer uma história longa, eu estava muito interessado nela e eu mandei um link para as meninas no abrigo com oito garotas e elas escolheram as duas dela. Elas não sabiam quem era ela então quando elas disseram, “essa garota, essa garota deveria fazer esse papel.”, eu disse “sim, eu acho que sim.”. Ela era tão determinada. Tinha algo dentro dela que ela sabia que podia fazer esse papel e que ela só precisava de uma chance. Ela é uma ótima atriz. Ela fez um ótimo trabalho neste filme e isso vai mudar o curso de como as pessoas veem essa garota como uma garota multiface.

SF: Com que frequência havia pessoas do abrigo no set?

RK: Todos os dias. Darlisha está no filme.

SF: Elas tinham muito o que dizer para a Vanessa?

RK: Eu acho que ela confiou nelas. Elas eram a verdade do filme e ela realmente precisava desse apoio. Ela tornou-se elas, você sabe o que quero dizer? Ela precisava da orientação para se manter em linha com o que a realidade é.

SF: Você se envolveu muito com o filme e disse que se sentiu separada do mundo. Você pode falar sobre o que você sentiu e como você conseguiu superar isso?

Vanessa Hudgens (VH): Eu estava tão acostumada a atuar essa personagem que eu me tornei completamente desconectada de quem eu era. Quando você está em um certo estado da mente por uma longa duração de tempo, é realmente interessante como você começa a se tornar aquela pessoa. Minha auto-confiança estava em um período de baixa. Eu apenas me senti muito mansa e não me amava tanto. Foi difícil. Felizmente minha melhor amiga veio e realmente me puxou para fora disto. Eu apenas precisei de algum tempo para mim mesma, para voltar ao meu corpo perdendo peso novamente. Alongamentos ajudaram, haha. Yoga meio que me salvou também. Eu fui em um retiro de yoga no Havaí e que realmente colocou minha mente à vontade de novo.

SF: Qual cena você sente mais orgulho e o que você tira como uma pessoa da sua atuação?

VH: Eu realmente amei explodir em ferocidade. Não é algo que eu tinha chegado a fazer. Eu tinha que chorar. Eu tinha que ser triste. Eu tinha que fazer muitas dessas emoções mas realmente apenas explodir era algo que eu não tinha sido capaz de fazer. Eu acho que provavelmente hiperventilei durante isto mas era tão incrível que eu sentia depois da cena…

RK: No James Earl Jones?

VH: Não, quer dizer sim, mas também com o pai e a madrasta, quando ela me deixa na clínica de aborto. Há muita honestidade, e eu assisti o filme inteiro e estou muito orgulhosa da coisa toda.

SF: Porque você foi tão persistente em conseguir esse papel?

VH: É tão raro que um papel como esse apareça que você realmente se transforma. Eu acho que é o sonho de qualquer ator ser capaz de realmente transformar eles próprios, se é fisicamente ou emocionalmente, e apenas quebrar quem você é e atuar alguém completamente diferente. Algo dentro de mim sabia que eu tinha que fazer isto. Eu me conectei com minha personagem. Estava em algum lugar dentro de mim, apenas esperando por uma maneira de ser canalizado para fora.

SF: Como você se preparou para o papel e suas experiências no abrigo?

VH: Eu fui para o abrigo cerca de duas semanas antes de começar as filmagens e eu não poderia ter pedido uma maneira melhor de me preparar para um papel. Eu estava completamente submersa a este mundo e meu foco principal era ser uma das meninas. Eu comecei a construir algumas relações surpreendentes. É claro que eu engordei antes de ir para o abrigo, o que realmente deu o tom acho que porque eu me sentia diferente em meu próprio corpo. Inclusive claro o corte de cabelo e toda a estética de tudo.
Assim como os aspectos físicos. Eu acho que é realmente importante para ser capaz de assistir a um filme com o volume baixo e ser capaz de dizer o que está acontecendo. A forma como ela se apresenta eu acho que é muito específico. Eu só queria mudar tudo sobre mim e tentar me tornar outro alguém.

SF: Que tipo de orientação você foi capaz de tirar das meninas no abrigo?

VH: Acho que foi apenas a energia que eu realmente valorizei. Apenas em tê-las por perto, vendo o que elas foram o que as anima. Uma vez que eu poderia envolver minha cabeça entre isso e começar a fazer-lhes o meu próprio, isso realmente me permitiu estar no mesmo espaço livre com eles.

SF: Qual foi a principal coisa que você tirou do filme? Tem algo surpreendente que você aprendeu?

VH: Eu acho que vendo o quão difícil seria para ser uma jovem de 16 anos e passar pelas coisas que minha personagem passou. Quando eu estava atuando, aquela era eu. Eu não estava olhando de uma perspectiva externa. Fiquei em primeira pessoa. Mas voltar e olhar é tão doloroso. Está acontecendo agora e o único jeito que vai mudar é se fizermos um esforço para fazer uma mudança, se nós ajudarmos. Se de alguma forma nós oferecêssemos o nosso tempo para os abrigos ou para ajudar as jovens, porque isso está acontecendo. É muito relevante. Essas mulheres normalmente não tem um lugar para ir e elas são jogadas para fora e isso é triste. É triste como a vida pode ser tão dura com as pessoas as vezes, e como podemos ser solidários as vezes. Eu acho que isso também mostra que nós não somos. Enquanto tempos uma escolha consciente de fazer uma mudança em nossas vidas, nós podemos chegar lá e podemos ter alguém que esteve na mesma situação. Quando você tem fé e confiança em si mesmo, você pode mudar o seu futuro.

SF: Como foi voltar a interpretar alguém de 16 anos agora que você está mais velha?

VH: Eu penso em mim como um espirito jovem, para começar. A idade não foi muito relevante, pois ainda me sinto jovem em um monte de maneiras e esta personagem, esta ventura, era algo que eu nunca tinha feito antes, então eu me tornei uma criança nesse sentido. Ficar no abrigo e conhecer o que os inspirou e no que elas estavam definitivamente me ajudou muito, mas isso era tudo tão estranho e novo pra mim, então isso me fez sentir muito jovem e perdida.

RK: Essas garotas no abrigo. Sua normalidade é o sofrimento, a negligência e o abandono, então essa coisa de idade não é relevante.

Tradução exclusivamente feita pela equipe do Vanessa Hudgens Brasil. Se repassar, dê os devidos créditos.

Confira a matéria original clicando aqui.

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