Vanessa Hudgens é capa da edição de Abril da Harper’s Bazaar Malásia

   1 abril, 2020       Lucas Teixeira      Destaques  

Vanessa Hudgens estampa a capa da mais nova edição da renomada revista Harper’s Bazaar da Malásia.

A edição de Abril conta com um ensaio fotográfico deslumbrante de Hudgens em clima retrô, pelas lentes da fotógrafa Kat Irlin, com estilo assinado por Anny Katsanis. Ainda, a revista também traz em seu recheio uma entrevista exclusiva, onde Vanessa falou sobre sua carreira, feminismo, suas origens filipinas e polêmicas. Confira:

VANESSA HUDGENS: DE ÍCONE DA DISNEY À UMA HEROÍNA COM ARMAS

Que diferença um dia faz. No início de março, a atriz e cantora norte-americana Vanessa Hudgens postou uma selfie vestida com um corpete metálico da Saint Laurent, combinando com meias calças, cachos largos e lábios vermelhos. Com uma legenda que dizia: “Essa beleza. Não, não é quinta-feira”, pode-se supor que ela estava se referindo às suas publicações semanais #ThirstyThursdays, uma série de fotos cheias de estilo, sensualidade e body-positivity, que se tornaram sua indulgência pessoal desde seu rompimento com o ator Austin Butler. Certamente não demorou muito para que a foto atraísse mais de um milhão de curtidas, quebrando a internet com centenas de artigos em sites como E! Online e Daily Mail. “Obrigada por nos abençoar com isso”, comentou a atriz Kiernan Shipka da série O Mundo Sombrio de Sabrina, enquanto a atriz de Pretty Little Liars, Ashley Benson, declarou seu amor por sua colega e co-estrela de Spring Breakers: Garotas Perigosas. Quase ninguém percebeu que a selfie era, de fato, uma foto dos bastidores da sessão de fotos exclusiva da Harper’s Bazaar Malásia na ensolarada Los Angeles, filmada em meio a palmeiras exuberantes e um céu azul claro. Na verdade, era uma época muito mais simples: os shoppings estavam cheios de inúmeros compradores, os centros de ioga funcionavam com capacidade total e o tráfego da hora do rush nas grandes cidades durava horas a fio. Mas num piscar de olhos, o mundo mudou da noite para o dia, e nada mais foi o mesmo.

De repente, o distanciamento social se tornou a nova norma e, em questão de dias, começamos a questionar nossa própria segurança e sanidade. Curiosamente, essa abordagem consciente justapôs a série resultante de vídeos de danças no TikTok e exercícios em lives do Instagram, já que milhões de assinantes receberam carta branca para se tornarem suas próprias celebridades.

Para Vanessa, isso foi traduzido em um vídeo ao vivo no Instagram, que mostrou a atriz expressando suas opiniões sobre a pandemia mundial, culminando em um frenesi nas mídias sociais, incitando muitos ataques à estrela. É claro que, assim que percebeu seu erro, Vanessa divulgou uma declaração no Twitter, pedindo desculpas por seu erro. “Sinto muito pela forma como ofendi a todos que assistiram à minha live no Instagram ontem”, confessou. “Sei que minhas palavras foram insensíveis e não são apropriadas para a situação em que nosso país e o mundo estão agora.”

“Acho importante lembrar que ninguém é perfeito”, respondeu Vanessa em nossa entrevista, poucos dias depois de seu comentário polêmico. “Tudo o que podemos fazer é aprender com nossos erros. Por isso, continuo evoluindo.” Um testemunho de seu espírito implacável, que ela sem dúvida molda desde a era High School Musical.

De fato, a atriz meio americana e meio filipina tinha 17 anos quando foi escalada como Gabriella Montez no agora icônico filme da Disney. Em um ano, suas gravações para a trilha sonora do filme dominaram as paradas internacionalmente, com “Breaking Free”, um dueto com o ex-interesse amoroso Zac Efron, alcançando o 4º lugar na Billboard Hot 100 dos EUA e # 9 no Reino Unido. Ao longo dos anos, a atriz de vários talentos lançou dois álbuns solo, V em 2006, e Identified em 2008, enquanto também foi incluída na lista “High Earners Under 30” da Forbes em 2008.

Não foram apenas os filmes água com açúcar e familiares que a levaram ao estrelato. Há outra parte de Vanessa que é completamente durona e empoderadora, estrelando em projetos um pouco menos comerciais, mas instigantes, como o drama cult Aos Treze, de Catherine Hardwicke, e, claro, Spring Breakers: Garotas Perigosas de Harmony Korine, de 2012, estrelado também por James Franco e Selena Gomez. Aqui, destaca-se sua capacidade perfeita de ir de uma garota meiga à uma sedutora armada. Naturalmente, essa proeza camaleônica de mudar de um personagem polarizado para outro certamente ajudou a pavimentar o caminho para seu papel de protagonista na Broadway e o mais recente filme Bad Boys Para Sempre, mostrando sua ascensão não apenas como um símbolo feminista, mas como um papel de modelo para meninas em todos os lugares.

Claro, em um mundo pós movimento #MeToo e no atual estado atual de pânico, irmandade, compaixão e humanidade se mostrando cada vez mais necessários. E com a cultura das celebridades sendo exagerada, talvez seja a hora de refletir e estar presente. É o perfeito momento para citar o hit mundial de Vanessa em High School Musical, We’re All In This Together.

Você percorreu um longo caminho desde High School Musical. Como você acha que essa experiência e o crescimento da fama a moldaram pessoal e profissionalmente?
Isso me fortaleceu. Crescer sob os holofotes é difícil. Mas passar por coisas publicamente me deu uma casca grossa. A indústria é dura e sou grata pela força que desenvolvi.

Desde então, alguns dos filmes em que você estrelou, como Spring Breakers: Garotas Perigosas e Aos Treze, destacam alguns problemas controversos que as mulheres enfrentam atualmente. Como você acha que esses filmes refletem sobre nosso estado atual da sociedade em geral?
É importante ver filmes onde as coisas são levadas longe demais e observar como elas se desenrolam. É realmente crucial ser confrontado com a pergunta “Onde eu me posiciono nisso?” É assim que você constrói seu próprio caráter e entendimento sobre si mesmo.

Quanto dessas narrativas empoderadoras atraem você como atriz, especialmente agora que assumiu o papel de uma policial em Bad Boys Para Sempre?
Eu sempre sonhei em ser uma garota malvada. Lembro de ver Angelina Jolie em Tomb Raider e pensar comigo mesma: quero fazer isso. É importante que as meninas vejam uma mulher chutando traseiros e sendo empoderada.

Como foi trabalhar com atores icônicos como Will Smith e Martin Lawrence?
É tão divertido estar em um set quando já existe uma relação tão estabelecida entre o elenco principal. Desta vez, foram Will e Martin. Ambos são indivíduos tão gentis e muito colaborativos. Will sempre fazia piadas no set e sempre se certificava de que todos fossem bem cuidados e que estivessem se divertindo.

Foi difícil fazer a transição de um ícone da Disney para uma atriz madura?
O começo foi o momento mais difícil, porque todas as pessoas me conheciam só por High School Musical. Eu realmente tive que trabalhar para expandir meu currículo e ser vista sob um olhar diferente. Mas eu gosto do processo. Estou interpretando todos os tipos diferentes de personagens e constantemente me desafiando a assumir algo novo.

Em fevereiro, a fotógrafa Claire Rothstein lançou um vídeo mostrando você e outras mulheres incríveis falando sobre o empoderamento feminino. Qual a sua opinião sobre o feminismo?
Para mim, trata-se de se ver como alguém que você respeita e de ser tratada dessa maneira. Há tantas opiniões diferentes sobre como uma mulher deve ser, e acho que a única opinião importante é a sua. Obviamente, ainda há muito trabalho a a ser feito quando se trata de igualdade e remuneração igual, por exemplo, mas a conversa está cada vez mais estrondosa e acho que, continuando nessa direção, faremos a diferença!

Como orgulhosa meia-filipina, quanto de sua formação multicultural informa a pessoa que você é hoje?
Lamento muito em dizer que ainda não estive nas Filipinas e sinto que um pedaço de mim está desaparecido porque não estou tão conectada à minha herança quanto gostaria. Mas eu sou muito filha da minha mãe e ela nasceu e foi criada nas Filipinas, com muito pouco. Ouvir histórias das suas lutas, fé e espírito é um dos meus pilares básicos. Mas eu nasci nos Estados Unidos e cresci como americana. É bom ter um pedaço de ambos.

Se você pudesse escolher entre atuar e cantar, qual seria?
Isso é tão difícil para mim. Eu cresci fazendo teatro musical, para mim eles andam de mãos dadas, mas se eu TIVESSE que escolher, eu diria que atuação. Contar histórias e entrar no lugar de outra pessoa é minha verdadeira paixão.

Estrelar na Broadway – que parece ser a união perfeita dos dois – foi o maior desafio de performar ao vivo? Como você se prepara mentalmente para tais feitos?
Estar no palco é como estar em casa para mim. Você faz toda a preparação em um espaço seguro e, finalmente, tem aquele momento em que conta a história e tem o público ali para reagir. Você pode sentir se eles gostam ou não. É uma conexão tão íntima e especial que você tem com o público quando está no palco. Eu sinto muita emoção com isso.

Com tanta coisa acontecendo agora, como você dedica seu tempo ao amor próprio e autocuidado?
Tenho meditado um pouco mais recentemente. Acho que com tudo isso acontecendo, é tão importante reservar um tempo para você e liberar toda a bagagem que carregamos. Eu também gosto muito de uma boa máscara facial, uma taça de vinho e assistir uma comédia na cama. Além disso, uma boa refeição. Tendo um tempo e realmente experimentando todos os seus sentidos a cada mastigada.

Sem dúvida, tem sido uma montanha-russa emocional para você nos últimos anos. Como você se mantém, apesar de tudo o que aconteceu?
Eu acho importante lembrar que ninguém é perfeito. Todos cometemos erros e provavelmente continuaremos cometendo erros. Tudo o que podemos fazer é aprender com eles e tentar não cometer o mesmo erro duas vezes. Sou muito apaixonada pelo que faço e vivo minha melhor vida, porque só temos uma. Não quero olhar para trás e pensar o que poderia ter acontecido, por isso continuo evoluindo.

Uma das melhores coisas sobre você é sua capacidade de manter-se real. Como você consegue fazer isso, especialmente em Hollywood?
Eu faço questão de manter ativamente minha vida real. Já passei por muita coisa, mas ainda tenho muito mais vida para viver. Eu sempre tento dar um passo atrás, ver a jornada e sentir profunda gratidão por ela. Eu acho que quando você lidera com gratidão, é difícil ficar cansado.

Falando em manter-se real, qual sua opinião sobre ser sexy e confiante nos dias de hoje?
Para mim, é quando me sinto confiante e empoderada pela minha feminilidade, sinto que posso conquistar o que quer que seja. Há poder nisso. Se você acredita, você pode.

Tradução e adaptação: Vanessa Hudgens Brasil. Clique aqui para conferir a entrevista original.

Confira também as fotos de Hudgens para a revista, clicando em qualquer miniatura abaixo:

GALERIA – Scans

GALERIA – Photoshoot, por Kat Irlin

GALERIA – Bastidores

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